Rômulo Soares

Corretor de Imóveis, Administrador de Empresas, Advogado e Jornalista. Pós Graduado em Direto e Processo do Trabalho pela Gama Filho-RJ e Direito Difuso, Coletivo e Ministério Público pela FESMIP-PB. Atualmente Presidente do CRECI-PB.


Caminho da recuperação tem menor prévia inflacionária desde o início do Real, em 1994

Desde que o Governo do ex-presidente Itamar Franco (sob a coordenação do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso) apresentou ao país, em 27 de fevereiro de 1994, o Plano Real, com uma nova moeda que perdura até hoje, o Brasil não tinha uma prévia inflacionária tão baixa, como a que foi registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mês de janeiro deste ano, que ficou em 0,30%.

Trata-se do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que, acumulado nos últimos 12 meses, ficou em 3,77%, inferior aos 3,86% registrados em igual período anterior, que resultou numa inflação 3,75% em 2018.

O bom de tudo, nesse contexto atual, é que os preços de produtos e serviços, como transporte e vestuário, recuaram ao ponto de apresentarem deflação exatamente no mês de maior consumo das famílias, que é dezembro (-0,47%), e mais surpreendentemente em janeiro (-0,16%). Habitação e Comunicação, por exemplo, tiveram ligeiras elevações de 0,08% e 0,06% respectivamente, o que contribuiu para o índice geral de 0,30%.

São indicativos de que a economia brasileira está no caminho da recuperação, do abandono da estagnação, uma vez que tais indicativos seguraram alta de 0,87% nos preços de alimentos e bebidas, por exemplo. Estes dois itens, aliás, registraram o maior impacto no indicador mensal.

De acordo com análise do IBGE, no entanto, o que pesou para que o IPCA não fosse ainda menor, foi a alta dos preços dos alimentos (principal item no consumo das famílias), que foi a 1,07% em janeiro, ante 0,22% (muito baixo) em dezembro do ano passado. E na alimentação, o que mais pesou foram os aumentos de 6,25% e 1,72% nos preços das frutas e carnes.

Dentro do contexto do IPCA15 divulgado pelo IBGE, que levou em consideração famílias com rendimentos de até 40 salários mínimos em onze regiões metropolitanas- São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia- alguns dados interessantes demonstram que a economia brasileira dá sinais de reaquecimento, a exemplo da diminuição nos preços dos combustíveis.

A gasolina, por exemplo, teve a maior queda, com uma redução de 2,73%. Fora a cidade de Salvador, onde a gasolina subiu 2,38%, o combustível teve redução media de quase 6% (-5,99%) em todas as demais regiões, com uma variação negativa menor em Goiânia, de (-1,38%.), em janeiro.

Assim como a gasolina, ajudaram na deflação as reduções de 1,17% no preço do etanol e de 3,43% no do óleo diesel. As passagens aéreas, que subiram 29,61% em dezembro de 2018, caíram 3,94% em janeiro.

Diante deste cenário, analistas econômicos já reduzem suas previsões para a inflação no decorrer deste ano de 2019. Acreditam eles, que o índice foi reduzido de 4,02% para 4,01%. Tal previsão encontra-se em documento do Banco Central. Pode parecer pouco, mas diante do cenário da décima maior economia do mundo, percentuais aparentemente muito baixos, tornam-se elevados e impactantes.

Continuamos na expectativa da retomada do crescimento, que se apresenta lenta e gradual. Mesmo assim, os resultados continuarão visíveis, o que começará a se transformar na geração de empregos, até porque o mercado continua esperando que a meta inflacionária de 4,25%, do Banco Central, permaneça no intervalo de tolerância previsto, uma vez que que tal meta pode ser atingida se o IPCA ficar entre 2,75% e 5,75%. Para tanto, vamos esperar pelos próximos passos do Banco Central, que pode aumentar ou reduzir a taxa básica de juros da economia (Selic), hoje fixada em 6,50% ao ano, a menor desde o inicio do Real.

Caminho da recuperação tem menor prévia inflacionária desde o início do Real, em 1994

Comentários

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.