Câmara de Campina aprova projeto proibindo discurso sobre gênero nas escolas

A Câmara Municipal de Campina Grande(CMCG) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (19), o projeto de lei que proíbe discussão sobre gênero nas escolas. Dos 23 vereadores eleitos pela população, 15 compareceram à sessão e votaram a favor do projeto que já foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

O projeto, de autoria do vereador Pimentel Filho (MDB), foi aprovado por unanimidade em meio a protestos. Dos 23 vereadores eleitos pela população, 15 compareceram à sessão e votaram a favor do projeto que já foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

A galeria da Câmara Municipal foi dividida em duas grandes partes: do lado direito estavam os apoiadores do projeto que em sua maioria eram religiosos de igrejas evangélicas neopentecostais, católicos carismáticos e da parte mais conservadora da Igreja Católica. O lado esquerdo foi destinado para os movimentos sociais, universidades, sindicatos e representantes religiosos de matriz afro-brasileira.

Num quadro digno da Idade Média, como se fosse um Tribunal da Santa Inquisição, apoiadores do projeto bradavam contra o que eles nominam como “ideologia de gênero” empunhando bíblias e rosários, entoando cânticos religiosos e evocando o tradicional modelo de família. A ação coordenada pela bancada conservadora da Câmara Municipal contou com o apoio da Diocese de Campina Grande que lançou nota apoiando o projeto, além da intervenção de alguns padres em suas paróquias no sermão de domingo para seus fiéis.

Do lado contrário, militantes puxavam gritos de ordem que falavam da importância do Estado laico, do combate à censura e do respeito à diversidade. Ao fim da votação, com o resultado favorável aos religiosos conservadores, os apoiadores do projeto rezaram um “Pai Nosso” da galeria, enquanto os militantes contrários ao projeto tomaram as ruas e fizeram um grande protesto pelas avenidas do centro da cidade.

O coordenador executivo do Centro de Educação Cidadã e Direitos Humanos (Cecidh), José Júnior, que acompanhou a sessão, disse que se o prefeito de Campina, Romero Rodrigues, não vetar o projeto, as organizações que compõem o Comitê Estadual em Defesa da Educação Pública da cidade irão entrar com uma ação civil pública na Justiça questionando a decisão da Câmara.

ParlamentoPB com Jornalistaslivres

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