Ativista social Lúcia Rocha morre vítima da Covid-19

Uma parada cardíaca às 2h40 desta segunda-feira, 15, causou a morte da ativista dos movimentos sociais Maria Lúcia Santos Rocha. Ela estava internada no Hospital da Unimed em João Pessoa. O corpo de Lúcia será cremado às 15 horas de hoje no Crematório Caminho da Paz, em Cabedelo. Ela havia pedido aos familiares que após a pandemia suas cinzas fossem divididas entre João Pessoa e Salvador, na Bahia, onde estudou e militou no PCdoB, no período da ditadura militar (1964-1985), quando integrou os movimentos de resistência.

Militante histórica do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na Paraíba, foi dedicada à luta nos movimentos estudantis, comunitário, sindical e feminista. Comunista convicta, sempre ocupou postos de comando no PCdoB paraibano. Na clandestinidade, na época da ditadura militar, utilizava os cognomes Carmem, Socorro, Teresa, Cristina, Maria de Lourdes, Sofia ou Marcilene, para se proteger da repressão.

O PCdoB da Bahia emitiu uma nota de pesar pela morte de Lúcia:

O Comitê Estadual do PCdoB na Bahia lamenta profundamente a morte da feminista Lúcia Rocha, ocorrida nesta segunda-feira (15/03), em João Pessoa (PB), em decorrência da Covid-19. Apesar de morar atualmente na Paraíba, ela estudou na Bahia e militou no Partido do estado, no período da ditadura militar (1964-1985), quando integrou os movimentos de resistência.

Estudante de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lúcia viveu um longo período na clandestinidade e adotou diferentes nomes, para fugir da perseguição dos militares aos militantes. Com o fim da ditadura, continuou a luta pelo socialismo e pelo fortalecimento da democracia, e integrou o movimento feminista dentro do PCdoB que resultou na criação da União Brasileira de Mulheres (UBM).

Natural do Piauí, Lúcia era irmã das também militantes Ana, Liège e Léa Rocha. O PCdoB-BA manifesta solidariedade à família, aos amigos e camaradas que atuaram ao lado dela, por esta irreparável perda, e exalta o seu legado de luta em prol da igualdade e da liberdade no país. É triste a partida, por Covid-19, de alguém que participou do enfrentamento à pandemia e à política de morte instalada no Brasil.

Sem dúvidas, Lúcia Rocha será sempre lembrada pela abnegação e dedicação com que construiu a trajetória de militância. São incontáveis as contribuições dadas à estruturação do PCdoB, inicialmente na Bahia, mas também fora dela, nos estados em que viveu, e também para a luta pela emancipação das mulheres. Será sempre lembrada.

Lúcia Rocha, presente!

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