Onivaldo Júnior

Onivaldo Júnior é formado em Jornalismo e Música pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em Educação Musical também pela UFPB. Professor particular de canto, professor de Artes em duas escolas do Município de João Pessoa e maestro do Mosaico Coral.


Arte e Solidariedade

Penso que já escrevi, recentemente (ou nem tanto), um texto com esse mesmo título. Na ocasião, refletia sobre um irmão que vendia mandalas e fazia performances teatrais para arrecadar fundos de modo a custear o próprio tratamento de saúde. Hoje, no entanto, a abordagem será em outra direção. A pandemia do novo coronavírus está afetando diretamente as rotinas de artistas e pessoas que vivem de sua criatividade. Mesmo assim, elas ainda encontram espaço para praticar a solidariedade, contrariando a recomendação das aeronaves de, primeiro, colocar a máscara de oxigênio em você antes de tentar ajudar os outros passageiros.

Em um grupo de rede social que reúne artistas das mais variadas áreas, uma das práticas atuais mais recorrentes é a divulgação de apresentações ao vivo transmitidas pelas redes sociais, as chamadas lives. Uma delas me chamou a atenção por ser uma mobilização de músicos em prol de um bar que estava sofrendo o impacto econômico do isolamento social. Os artistas se apresentariam com data e hora marcadas, e no show, seria divulgada uma conta bancária para que os internautas depositassem quantias à sua escolha, e a renda seria revertida para dar fôlego à Casa.

Num primeiro momento, fiquei emocionado com a iniciativa. E assim permaneço. Mas, num segundo momento, lembrei de outros estabelecimentos (não afirmo que era o caso do bar em questão, antes que façam tal ilação) que nunca valorizaram os músicos que atraiam clientes para suas mesas por meio da arte deles. Era fácil de calcular o lucro que estes bares obtinham com consumação sem, no entanto, remunerar os músicos pelo árduo trabalho que eles desempenhavam com maestria, restando-lhes a humilhante prática de “passar um chapéu”, uma maneira gourmetizada de pedir esmolas. Ora, não bastando entreter o público e incentivar-lhe o consumo, o músico ainda ia depender da solidariedade e cortesia dos clientes pra poder custear seu próprio investimento.

Penso, por fim, que as lives solidárias devem continuar acontecendo. Mas que bares e restaurantes deem sua contrapartida aos artistas quando isso tudo passar. Se hoje os músicos lavam a mão do empresário, o que o empresário faz hoje e fará ao fim da pandemia para lavar a mão do músico, que tem contas e necessidades como qualquer outro cidadão?

Outro Olhar

Já que estamos falando de arte e solidariedade, trago um outro recorte, dessa vez de uma iniciativa que merece ser aplaudida sem ressalvas. A cantora Laís Menezes, revelação do cenário da música infantil de João Pessoa, faz live solidária no próximo sábado, dia 16 de maio, às 17h, em seu canal do YouTube. Durante a apresentação, cujo repertório terá predominância de hits infantis – além de três canções autorais da artista – será intensificada uma campanha de arrecadação de fundos para ajudar crianças com microcefalia (uma malformação congênita a partir do qual o cérebro não se desenvolve de maneira adequada).

“No momento em que estamos passando, de isolamento, vejo que podemos usar aquilo que sei e amo fazer por aqueles que mais precisam”, explicou Laís.

Para assistir à live, o internauta deve acessar o canal de Laís no YouTube (/laismenezesoficial). As doações podem ser transferidas pelos aplicativos bancários ou por QR Code disponível durante a transmissão.

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