Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


Advento, tempo da esperança confiável

O coração humano, na sua ordinária ânsia de progresso, sempre almeja as coisas do futuro. Ele foi criado para permanecer nas relações do hoje, mas também sabe caminhar para o que virá! Para a liturgia da Igreja, estamos adentrando nos dias que nos preparam para celebrar solenemente o Natal do Senhor. A palavra advento vem da língua grega e significa vinda, presença iniciada. Este sagrado tempo nos ajuda a acolher o ensinamento de que Deus não vive sozinho lá no céu, desinteressando-se por nós e pelo desenvolvimento histórico, mas é o Deus que está vindo, e ao mesmo tempo, Ele já está entre nós.

Ao longo das quatros semanas que antecedem o Natal, a pedagogia da liturgia nos porá dentro do Mistério de Deus, mistério que também é humano, porque envolve-nos, compromete-nos! Seremos motivados a fazer de nossas esperas um lugar sagrado, aonde Deus purificará o nosso coração. Trata-se de um tempo especial de conversão. ”Advento é um tempo favorável para a redescoberta de uma esperança não vaga nem ilusória, mas certa e confiável, porque está ‘ancorada’ em Cristo, Deus feito homem, rochedo da nossa salvação” (Bento XVI).

E qual o motivo da perda de nossa esperança? A pessoa humana é a única criatura livre capaz de dizer ‘’sim’’ ou ”não” a Deus. Podemos apagar Deus do horizonte de nossa vida pessoal, estar nas relações humanas como se Ele não existisse, o homem pode apagar em si mesmo a esperança. Contudo, Deus insiste em apresentar-Se a nós, e O Faz como peregrino, sendo capaz de nos dar Seu próprio Filho. Jesus é o peregrino do Pai entre nós, caminha conosco no transcorrer de nossa historia. E neste tempo do advento, crescemos na sagrada esperança, lutamos para não faltar Deus em tudo o que nos propomos a realizar. E nosso ”fazer” será fecundo mediante nossa entrega generosa na oração constante. Na oração podemos ”aprender a não depender das nossas seguranças, dos nossos esquemas consolidados, porque o Senhor vem na hora que não imaginamos” (Papa Francisco).

O Senhor está para chegar, eis o fundamento da esperança humana. Nosso dever passa pela adesão interior, nós esperamos o Senhor, não da forma de uma elegante decoração num mundo já todo protegido e redimido, mas como único caminho de libertação de um imediato perigo mortal. Que o coração orante da Virgem Maria, que sempre sabe esperar, nos ensine a rezar em qualquer circunstância; que suas mãos, cheias da caridade de Cristo, nos ajude a estar mais com os empobrecidos.

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