Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


A vida é um breve instante!

Os homens e mulheres de todos os tempos estão debaixo da amorosa proteção de Deus. Nascemos, crescemos, passamos por diversas alegrias e dores ao longo da vida e, enfim, morremos. Cultivamos muitas incertezas, mas há uma certeza que não escapa dos nossos sentidos: “a vida é só um breve instante, uma hora passageira”, como dizia Santa Terezinha do Menino Jesus. Esta afirmação parece-nos fatalista, carregada de negativismo, mas na verdade Santa Terezinha propõe poeticamente uma verdade de fé: vivemos nossa vida neste mundo com os pés que caminham rumo à meta segura do céu.

As grandes tribulações que enfrentamos no percurso da existência humana só podem ser vencidas porque nos dispomos a permanecer na esperança cristã. “A esperança precisa de paciência, assim como precisa ter esperança para ver crescer a semente de mostarda. É a paciência de saber que nós semeamos, mas é Deus que faz crescer” (Papa Francisco). E como preservar quando a dor da morte bate à nossa porta? Como prosseguir quando perdemos quem amamos? Tais questionamentos têm sido mais frequentes ao longo desta pandemia que tenta roubar nossa paz.

Como cristãos, cheios da esperança de Cristo, não podemos viver nossos dias permitindo o prolongamento de fardos de frustações e fobias. Afinal, o Batismo que recebemos um dia nos coloca diante de tão desafiante exigência de fé: “Quem crê nunca está sozinho, nem na vida e nem na morte” (Papa Emérito Bento XVI).

É claro que devemos chorar e sentir saudades de quem nos era próximo e que Deus chamou para junto de Si. Mas o nosso choro de saudade não pode apagar a chama da fé na vida eterna. Devemos abraçar nossa existência sobre a terra como um breve instante oferecido pelo Bondoso Pai do céu. E quando chegar o momento final de nosso último suspiro, os nossos lábios estejam capazes de fazer uma breve e simples oração: “Senhor, prepara meu coração para morrer bem, para morrer em paz, para morrer com esperança” (Papa Francisco). Que Nossa Senhora ancore nossas esperanças humanas na maior esperança que nos vem da fé em Cristo e que nunca nos falte o louvor e o reconhecimento que Deus governa nossas vidas.

(Artigo em tributo à Edvânia Marinho, Fundadora da Comunidade Casa da Paz. Falecida em 01 de julho, em decorrência da COVID-19. Em sua memória eu quero continuar assegurando minhas orações de sufrágio, como Pastor, por todas as vitimas desse vírus.)

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