Mário Tourinho

Administrador, pós-graduado em Planejamento Operativo, já atuou na administração pública federal, estadual e municipal


A proposição para Bolsonaro renunciar

 

Li a matéria segundo a qual o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) sugere que Jair Bolsonaro renuncie ao cargo de Presidente da República. Dias depois, com mais ênfase, similar sugestão foi novamente publicada, desta feita, porém, atribuindo-se sua autoria não só a Ciro Gomes, mas, também, a representantes de outras siglas partidárias como PSOL, PT, PC do B…

Aquela  sugestão viera na esteira da também  recente declaração de Bolsonaro de que “o Brasil está quebrado”, pelo que aqueles representantes partidários denunciam o presidente como “um irresponsável” que “deve assumir sua total incapacidade como gestor”.

Se com a provocação de Ciro é de estimar-se que Bolsonaro venha pouco considerar fazer uma reflexão sobre a sugestão da renúncia, muito menos a respeito refletirá com essa provocação tendo a assinatura daqueles outros representantes dos partidos já mencionados!…

Todavia, foi bom que essa provocação tenha vindo à tona, isto porque certamente Bolsonaro dela se inteirou… e se irritou (provavelmente até reagindo com palavrões dirigidos aos seus adversários políticos). E agora sabendo que há provocações dessa natureza, é de esperar-se que ele, Bolsonaro, pretendendo – como convictamente pretende – manter-se como Presidente da República, avalie o “como bem agir” para evitar ações desse tipo por parte de parte do povo que a ele cabe unir e governar.

Bolsonaro, nessa reflexão, deverá reanalisar os números de sua votação no 2º turno da eleição de 2018, lembrando-se, portanto, de que foi eleito com 55,13% dos votos válidos… votos válidos – repita-se! Quando comparados seus 57 milhões de votos ao universo do eleitorado brasileiro (147 milhões), esse percentual cai para 39%. Ou seja: precisa agir de modo  a conquistar a aprovação da maioria dos brasileiros, diferentemente de desprezar essa busca, cujos resultados têm sido, conforme pesquisas, a de que apenas um terço (1/3) da população aprova seu jeito de  governar.

Penso que essa provocação leve Bolsonaro a refletir sobre esse seu jeito de governar, e, em especial, agora em que ele observa que um seu “amigo”, Donald Trump, de estilo bem parecido que o seu, não logrou êxito em sua reeleição à presidência dos EEUU.

Penso também que Bolsonaro venha até refletir sobre o bom e esperançoso discurso que pronunciou em abril de 2019 (há quase dois anos) na Confederação Nacional dos Municípios. Foi um discurso de conclamação à união do povo brasileiro, uma conclamação aos governadores, aos  prefeitos, aos chefes dos demais Poderes em prol  de uma ação integrada pró Brasil.

Que Bolsonaro coloque em prática, pois, aquela conclamação e, assim procedendo, não cabe formalizar renúncia nenhuma ao cargo de Presidente da República. E como resultado terá o aplauso e o agradecimento da maioria  do povo brasileiro!… Claro – repito: mudando  seu jeito de governar!

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