Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


A Esperança não engana

A Quaresma é, por excelência, um tempo de esperança! Não qualquer tipo de esperança. Esperamos a realização do cumprimento da Bondade de Deus em nossas vidas. O pecado, o mal e os desafios próprios da existência humana não têm a palavra final sobre nós. O Papa Francisco, na sua tradicional Mensagem para a Quaresma, disse recentemente que a esperança cristã é como uma “água viva” que nos permite prosseguir na caminhada terrena. Nosso Senhor, através de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, nos oferece um futuro aberto, como nos lembra o Papa: “futuro aberto de par em par pela misericórdia do Pai. Esperar com Ele e graças a Ele significa acreditar que, a última palavra na história, não a têm os nossos erros, as nossas violências e injustiças, nem o pecado que crucifica o Amor; significa obter do seu Coração aberto o perdão do Pai”.

Todos nós estamos sofrendo com a noite escura da pandemia. O mundo foi imerso numa espécie de prolongada noite. Os grandes avanços tecnológicos parecem incapazes de dar um ponto final em tantas dores. Como cristãos, qual deve ser nossa atitude? Indiscutivelmente, a postura que prega o cuidado da vida! A esperança quaresmal nos coloca diante do cuidado com a fragilidade da vida humana. Sabemos o quanto tem sido difícil levar um princípio de normalidade em nossas atividades, às vezes temos a sensação que tudo perdeu sentido. Contudo, não devemos nos esconder dos confrontos existenciais. O valor da vida nos pede a luta, a luta concreta pela preservação dos mais frágeis e vulneráveis.

Façamos deste tempo quaresmal um prolongado ato penitencial da Missa. Um ato penitencial encarnado na vida concreta. Peçamos perdão por tantas ofensas a Deus e aos irmãos. Lembremo-nos das históricas palavras do Papa Francisco, no início da pandemia: “A Misericórdia de Deus não deixa ninguém para trás!”. Quaresma é tempo de pedir perdão a Deus, e o faremos com fecundidade, se nos recolhermos na oração silenciosa, acompanhada da verdadeira contrição. Vivemos em ambientes, também os virtuais, muito tóxicos e barulhentos. Enchemos nosso coração de ideologias que nos ensurdecem e nos distancia da pureza do Evangelho de Cristo. Como Pastor, motivo-os ao recolhimento interior, quando aí teremos a oportunidade de sermos iluminados pela luz da esperança divina. “Viver uma Quaresma com esperança significa sentir que, em Jesus Cristo, somos testemunhas do tempo novo em que Deus renova todas as coisas (cf. Ap 21, 1-6), «sempre dispostos a dar a razão da [nossa] esperança a todo aquele que [no-la] peça» (1 Ped 3, 15): a razão é Cristo, que dá a sua vida na cruz e Deus ressuscita ao terceiro dia” (Papa Francisco). Confiemos este tempo de esperança às mãos da Virgem do Silencio. Ela soube viver da esperança de Deus; que Ela nos ensine a suportar as provas duras da vida.

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