Pastor Estevam

Pastor da Primeira Igreja Batista de João Pessoa. Pscicólogo clínico, escritor, conferencista motivacional. Casado com Dra Aurelineide, e pai de Thayse e André.


A dor do esquecimento

Quando foi receber o prêmio Nobel da Paz, em 1979, Madre Tereza fez menção a uma visita que fizera a um dos mais luxuosos asilos para idosos, na América. A beleza e o luxo deixaram-na impressionada. Contudo, algo a impactou mais ainda: os velhinhos ali colocados pelos seus filhos tinham no rosto uma profunda expressão de tristeza. Intrigada, indagou a si mesma: “por que tanta expressão de dor naquelas pessoas?”

De repente, percebeu que todos eles olhavam para uma grande porta. Curiosa, perguntou à sua acompanhante: “Por que todos olham para a mesma porta? E por que não conseguem sorrir?” A responsável pela visita respondeu-lhe: “Eles olham para aquela porta porque esperam ansiosamente a visita dos filhos, e este semblante triste que trazem no rosto é porque se sentem feridos. Acham que foram esquecidos por seus familiares.

As pessoas ao nosso redor estão famintas não só de pão, mas de afeto também. Existe uma profunda fome de amor, alegria, reconhecimento, gratidão, paz e companhia, debilitando a existência de muitos. Na verdade, por trás de tudo isso, o que existe mesmo é uma dolorosa fome por relacionamentos significativos. Fome de reconhecimento.

Todos estamos famintos. Até mesmo a pessoa mais bem alimentada traz consigo uma fome interior, no coração. Esta fome está presente no mundo todo de hoje! É a fome de significado, uma necessidade de não ser esquecida. Os asilos estão por toda parte e é preciso curar as feridas do esquecimento.

Muitos estão olhando para uma porta, exatamente aquela que lhes possibilitará sem nenhum risco de rejeição, compartilhar aquilo que eles realmente são. O desejo de um abraço sincero, de uma palavra amiga, de um gesto de carinho e de um olhar de aceitação tem deixado muitos com os olhos fixos em uma espécie de “porta de esperança”, pensando: “Quem sabe, algum dia, alguém virá visitar-me?”

Muitas casas hoje se transformaram em asilos por conta do isolamento e da frieza com que são tratadas as pessoas que ali residem. São vidas exiladas em suas próprias casas. Precisamos aprender a exercitar a memória afetiva e cuidar mais daqueles que amamos, só assim, semearemos vida e esperança nos áridos desertos da vida. Quando assim fazemos, curamos as feridas do esquecimento e transformamos asilos em espaços de vida.

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