Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


A alegria cristã guarda um anúncio

Estamos a poucos dias da celebração do Mistério da Encarnação de nosso Deus. O Natal do Senhor se aproxima! A cidade se enche de luz, às crianças são contadas a grande história do amor de Deus pela humaidade. Contudo, ainda estamos no tempo de preparação, ainda é advento, e neste domingo, celebramos o domingo alegria. Não uma alegria excessivamente ostensiva, dispersa e fantasiosa, mas uma alegria que nasce da convicção de se estar unido ao verdadeiro Deus: o de Deus que está próximo e que Se fez Menino para nos salvar. Todos estamos acercados do marasmo provocado pela pandemia, quantos desafios estamos enfrentando! Mas reafirmamos nosso compromisso religioso com a celebração dessa alegria que vem com a chegada do Senhor.

A cada dia que passa somos empurrados para uma cultura da pós-religião. Deus tem sido tirado da pauta do dia do homem moderno. Estamos nos acostumando com ataques e zombarias dos que caricaturam a fé dos cristãos que habitam esta Terra de Santa Cruz. E o que fazer? Obviamente que devemos cultivar o bom convívio com quem pensa diferente, com quem crê diferente, ou até mesmo, com quem vive convicto de um ateísmo prático. Mas, não aceitamos que em nome de uma falsa convivência pluralista se desdenhe da fé e da alegria de quem crê em Jesus Cristo.

Este tempo de preparação do Natal do Senhor também pode nos ajudar a melhorar nossas atitudes de cristãos. Como cristãos, será que anunciamos com a vida a prioridade de Deus? Será que o sentido de nossa alegria nasce da fé em Cristo? Ou será que estamos nos tornando adeptos dessa pós-religião que descarta Deus e coloca as falsas necessidades humanas no centro de tudo? São perguntas que devem ser interiorizadas e confrontadas, todo cristão deve fazê-las com o fim de anunciar unicamente Jesus Cristo.

O amor que nasce da manjedoura de Belém lança fora o temor. A pandemia assusta-nos, mas não devemos deixar de pedir ao Senhor que continue nos dando força para superar este e tantos outros desafios. É tempo de fazer memória dos entes queridos que se foram, na certeza de que estão com Deus e não mais sofrem e nem choram. O tempo do Advento nos prepara para nos colocar diante do Deus que Se fez criança para nos dar a alegria que não passa. Precisamos pedir a graça de Deus de nos encantar novamente com a simplicidade de quem contempla o presépio e vê ali o quanto Deus nos ama.

A cultura pode se paganizar, mas resistiremos e nos apoiaremos nas palavras emblemáticas do Papa Francisco: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus (…) Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria”. O presépio de Natal, que apresentamos ao mundo, não é um aglomerado de imagens empoeiradas pelo tempo e nem é uma mensagem cansada e repetitiva da Igreja para doutrinar, como assiduamente nos acusam os que dizem não terem fé. O presépio diz sobre um amor e uma grande alegria que tem um rosto: o amor extremado do verdadeiro Deus que desceu do céu para estar com os pecadores. Esse rosto é Jesus!

Que Nossa Senhora, a Mãe da verdadeira fé, nos auxilie neste tempo de advento. Que através do olhar Dela, nossas atitudes sejam fortalecidas para anunciar sempre que Deus não está no passado medieval e nem é uma crença dos tempos em que não havia o progresso da ciência. Deus é sim o sentido de quem crê, e essa convicção faz nascer a alegria que ninguém pode nos roubar.

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