Jean Wyllys volta a sofrer ameaças de morte após desistir do mandato e deixar o país

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O anúncio da desistência do mandato e da decisão de deixar o Brasil não inibiram os ataques ao deputado Jean Wyllys (Psol-RJ). O parlamentar e seus irmãos receberam duas ameaças no último sábado (26) e nessa segunda-feira (28). “O Jean pode estar exilado na Europa, ‘seguro’, mas não podemos dizer o mesmo de vocês. Em 2020 faremos novos contatos com sicários, em 2021 também e assim sucessivamente”, diz o trecho de uma das mensagens.

“Bixa desgraçada! Sei que você está na [diz o nome do país onde o deputado estaria] e provavelmente está atrás de mim. Saiba que estou armado e pronto para lhe matar. Você é a escória, você é o lixo. Você mudou-se para […] e deixou todos os seus parentes no Bostil. Saiba que meu maior desejo é te decapitar e postar o vídeo na Deepweb. Você e sua querida mãe”, afirma o trecho de outra.

As novas mensagens foram encaminhadas pela assessoria jurídica de Jean Wyllys à Polícia Federal, ao Ministério da Justiça e à Polícia Legislativa da Câmara, com pedido de investigação. Embora tenham sido enviadas de e-mails distintos, ambas são assinadas pelo “Comando Virtual Marcelo Valle”. Para a equipe de Jean, a assinatura é uma forma de tentar confundir os investigadores.

O nome é uma referência a um estudante da Universidade de Brasília (UnB) condenado pela Justiça Federal do Paraná a 41 anos de prisão por crimes como racismo, terrorismo e divulgação de pedofilia. Preso desde maio, ele é apontado pela Polícia Federal como um dos autores de ameaças a Jean Wyllys. Marcello atuava no chamado submundo da internet.

As duas novas mensagens foram enviadas para todos os e-mails oficiais e pessoais de Jean, para os endereços eletrônicos de seus irmãos e para integrantes de sua equipe. Um dos textos traz os números dos documentos pessoais dos irmãos do deputado e diz que integrantes da família dele serão mortos até setembro.

A prisão de Marcelo Valle foi citada pela PF em nota divulgada pela assessoria do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, em resposta a críticas feitas na véspera por Jean como desdobramento das investigações feitas a partir das denúncias feitas pelo deputado. A assessoria do parlamentar afirma, no entanto, que Marcello foi preso por outros crimes e não pelas ameaças que fazia contra ele.

Corresponsabilização de Bolsonaro

Por meio de seus assessores, Jean Wyllys oficializou, nessa segunda-feira (29), na Câmara, sua decisão de renunciar ao terceiro mandato consecutivo que exerceria na Casa em razão das ameaças de morte que vem sofrendo. Um ato em defesa do deputado será realizado no início desta noite na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Os ex-candidatos a presidente Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (Psol), além de Manuela D’Ávila (PCdoB), que era vice de Haddad, confirmaram presença.

O partido de Jean prepara uma ofensiva na Justiça contra autores de mensagens que difamam e incitam o ódio contra o deputado. O Psol reuniu 4 mil comentários feitos nas redes sociais desde a última sexta-feira que tentam associar o deputado ao atentado contra o presidente Jair Bolsonaro em 6 de setembro, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Em nota, a legenda diz que Bolsonaro estimulou seus seguidores a seguirem com os comentários e, por isso, deve ser considerado “corresponsável” por qualquer ato de violência que Jean e seus familiares venham a sofrer em virtude dessas “novas mentiras amplamente divulgadas”.

Fake news

O partido afirma que o presidente foi irresponsável ao compartilhar uma mensagem com os “passos de Adélio Bispo, ex-filiado do PSOL”, autor da facada, fazendo referência ao registro de entrada dele na Câmara, no momento em que a hasthag #InvestigaJeanWillis era o assunto mais comentado do Twitter, após ser lançada pelo músico Lobão, cabo eleitoral do presidente.

O Psol cita três notícias falsas disseminadas depois que ele anunciou que estava deixando o país: uma delas faz referência à fictícia descoberta de um depósito bancário feito pelo deputado a Adélio Bispo; outra diz que ele estava jurado de morte por colegas de partido por saber demais; e uma terceira afirma que ele fugiu após ser flagrado desviando milhões de reais para movimentos sociais e organizações não governamentais.

“Ao colaborar com essa onda caluniosa, o presidente da República se torna corresponsável por qualquer ato de violência que Wyllys e seus familiares, vítimas de ameaças de morte, possam vir a sofrer como consequência destas novas mentiras amplamente divulgadas. Não aceitaremos tamanha agressão: nosso Jurídico já está tomando todas as medidas cabíveis”, afirma o partido.

Congresso em Foco

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