Cuidando das palavras

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Muita gente sofre de incontinência verbal. Dizem o que pensam (e o que querem), deixando transcorrer pelos lábios sua sujeira interior.

– “A boca é minha”! É assim que tentam justificar seu despudor de linguagem.

Jesus Cristo ensinou: “a boca fala do que está cheio o coração”. Por isso, tudo que nós falamos revela, inevitavelmente, aspectos da nossa intimidade.

“Põe Senhor sentinela à minha boca, e vigia a porta dos meus lábios” (Sal 141:03). Essa foi a prece que Davi, o salmista, fez para Deus, suplicando freio às suas palavras.

Imaginemos, cada um de nós,. logo de manhã, fazendo aos céus uma oração em favor de nossos lábios, um clamor pelas palavras. Quem sabe, pudéssemos orar assim:

Senhor, quero que minha boca seja muda, quando for preciso silenciar. Nem tampouco quero que ela silencie, quando for preciso falar.

Não me permitas falar por falar. Levianamente. Injustamente. Intempestivamente, sem medir as conseqüências.

Meu Senhor, dá-me boca que cante, que abençoe, que ensine, que ore, que ajude, que console. Quero falar palavras que transmitam mensagens de paz, de esperança e amor.

Não quero uma boca de onde saiam labaredas, daquelas que saem destruindo e queimando as searas alheias. Contudo, Senhor, quero que ela seja como uma chama, que aqueça vidas carentes de calor, e ilumine aqueles que precisam de luz.

Senhor, livra meus lábios de tornarem-se fontes de veneno. Não quero ter língua mortal. Que viva de maledicência e de destruir os sonhos dos outros. Não quero meu Senhor, ter língua ferina.

Não permitas que minha boca seja como sepulcro aberto, exalando o perfume da morte. Quero boca limpa. Que não se assemelhe a um cano de esgoto, por onde passa obscenidades, pornografias, mentiras, falsidades, ou qualquer outra imundície.

Senhor, não deixes que minhas palavras sejam como uma espada afiada, pronta para cortar. Ao contrário, que elas sejam como bálsamo, que alivia muitas dores; como azeite que sara feridas, ou como o mel, para adoçar corações amargos. Dá-me palavras que curem, e que jamais venham ferir o coração de alguém.

O poder que as palavras possuem é muito maior do que nós imaginamos. Elas fazem muita diferença em nossa qualidade de vida. Tanto curam, como adoecem. Levantam e derrubam vidas. Elas são, de alguma forma, o retrato de nossa alma. As palavras não somente falam por nós; elas dizem quem somos nós.

Cuidar do que a boca fala é, também, preservar a vida. Por isso, tinha razão o salmista quando orou assim: “vigia a porta dos meus lábios, e põe sentinela à minha boca”.

 

 

Imagem ilustrativa: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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