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Eu acredito é na rapaziada, que segue em frente e segura o rojão
 
Fim das eleições municipais de 2016 e a esquerda brasileira reconhece a derrota política, muito mais que uma derrota eleitoral. Necessários balanços começam a ser feitos, até para que erros não sejam repetidos.  
 
A direita brasileira está em seu papel e engana-se (ou enganou-se) quem esperava outro comportamento. Sempre que a democracia no Brasil foi atacada, foi por obra e graça da direita brasileira, que tem complexo de vira-latas, não tem projeto de nação e ojeriza às reivindicações populares. 
 
A PEC 241 (agora PEC 55 no Senado) revoga o pacto social da Constituição de 1988. O que está em vigor é o projeto neoliberal in natura que não voltaria ao governo por via eleitoral. 
 
As eleições municipais foram a vitória da “não-política”. Nas maiores cidades do país, abstenção, brancos e nulos foram maiores, foram mais numerosos do que os votos dos vencedores. Se a esquerda brasileira majoritariamente, de modo especial o PT, continuar funcionando apenas em anos pares, terá um belo passado pela frente. 
 
Não cabe mais o cálculo de tempo de TV ou da negociação para governabilidade. É preciso organização popular e luta social. No curto-curtíssimo prazo, a luta social que mais se projeta é aquela contra a Medida Provisória 746 que reforma o Ensino Médio e a PEC 55 no Senado. Esta é, no momento, a bandeira que terá maior apelo na opinião pública e encarnará o “Fora Temer”. 
 
A luta por dias melhores para toda a classe trabalhadora e contra a onda conservadora poderá ser agora, e nos próximos meses, de forte protagonismo juvenil. Uma juventude que debaterá política sem se preocupar com indicação de cargos. É esta juventude que, por não reproduzir a política tradicional, poderá combater a antipolítica mãe dos movimentos autoritários. 
 
Ser jovem agora não é só uma questão de idade, é ter capacidade de fazer uma nova política que olhe para o futuro enfrente os problemas sociais indo às suas raízes. Por isto, esta juventude que não se reconhece em velhas práticas, e pode se reconhecer em “jovens” como Bernie Sanders nos Estados Unidos e Eduardo Suplicy no Brasl, ambos com 75 anos, porém jovens. 
 
O que é jovem é um conjunto de promessas antigas e ainda não cumpridas plenamente:  é a inclusão social e o enfrentamento à pobreza; o compromisso com a diversidade e o respeito a todos e todas; a preocupação com a qualidade de vida e meio ambiente, sem esquecer a centralidade do trabalho e luta econômica. 
 
A nova classe trabalhadora é feminina, é jovem, ainda não encontrou suas formas de organização e não tem nenhuma referência da época em que o PSDB governou. Esta nova classe trabalhadora não se sensibilizará com legado dos governos do PT. Não adianta falar do foi feito, importa muito mais o que significam agora os partidos de esquerda e entidades representativas. Ou estão na luta, resistindo ao golpismo e ao neoliberalismo, ou logo serão identificados com a política tradicional a ser deixada para trás.  
 
A luta da juventude em defesa da educação, além de ser uma luta geral que tem potencial para mobilizar solidariedade social, criará um clima favorável para outras lutas contestatórias em outras frentes, como reforma trabalhista e previdenciária do governo Temer que atacarão direitos sociais. 
 
A responsabilidade não é pequena, mas assim como em 1968, a juventude tem um papel histórico importantíssimo a cumprir. Mas, para a moçada não imaginar que terá muito peso nos ombros ou que o mundo começa agora, o título desde texto cita Gonzaguinha e se você ainda não conhece, vale a pena conhecer. 



David Soares
Sociólogo formado pela UFPB e Mestre em Ciências Sociais pela UFRN. Professor na Universidade Estadual da Paraíba e Doutorando em Ciências Sociais na UFRN.


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